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  • Parar de fumar, com o pneumologista José Reinaldo Breseghello e o psicólogo André Maciel

 agosto 29

by Aurelia Guilherme

Parar de fumar é uma decisão que faz surgir um novo estilo de vida. O pneumologista José Reinaldo Breseghello e o psicólogo André Maciel nos falam das dificuldades em parar de fumar. Mas ressaltam que  a consciência dos males provocados pelo tabagismo pode ser uma grande aliada ao poder da mente.

parar de fumar é possível
É preciso dar um basta ao cigarro. A vida ganha novo sabor quando o vício é desprogramado da mente. Tudo é uma questão de inteligência. Qualquer mente pode se tornar poderosa. É fundamental vencer o tabagismo. Queira parar de fumar agora!

Parar de fumar

Parar de fumar é uma constante na vida de quase todo fumante. Os malefícios do tabagismo são diariamente lembrados. Porém, embora a maioria queira parar de fumar, a força de vontade falha e, o fumante pela milésima vez, falha. Campanhas de informação, pressão da sociedade, vontade pessoal, nada disso consegue vencer o vício. Mas, quando a saúde vai embora, boa parte consegue abandonar o tabagismo. São décadas de vício até que aquelas milhares de substâncias nocivas do cigarro vencem o bom funcionamento do corpo. Nesse ponto, algo acontece. Fiz uma visita aos queridos amigos José Reinaldo Breseghello (Pneumologista) e André Maciel (Psicólogo). Falamos  desse vale-tudo, sobre o hábito, o vício do cigarro e a saúde. Tudo com uma nova leitura da vida, que trago agora pra vocês:

parar de fumar é possível
Dr. José Reinaldo Breseghello, Pneumologista, CRM-GO 4680.

Aurélia Guilherme – Uma razão que faz muita gente parar de fumar é quando algum problema de saúde aparece. Ao longo de décadas de vício, o que exatamente está acontecendo internamente no corpo humano?

José Reinaldo Breseghello – O organismo vai se intoxicando lentamente… Paulatinamente seus tecidos vão se modificando sob a ação da agressão repetida. Trata-se de um vício em que mais de 4000 substâncias nocivas, reconhecidas pela ciência, são inaladas em alta temperatura. Isso para dentro de um órgão, por onde a cada cinco minutos passa todo o nosso volume de sangue circulante.

“E essa conversa de que os tabacos orgânicos sejam menos agressivos é puro mito, que deve ser frontalmente combatido!”

A agressão rotineira e intensa leva boa parte dos fumantes às doenças pulmonares. As mais conhecidas são a DPOC ou Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. Trata-se de uma associação de enfisema pulmonar com bronquite crônica e o câncer de pulmão. Há uma maior incidência de asma entre os fumantes.

O tabagismo provoca também as doenças cardiovasculares, como as coronariopatias e, consequentemente, os infartos do miocárdio; acidentes vasculares cerebrais; e arteriopatias periféricas, com seus riscos de trombose, gangrena e amputações; trombose venosa profunda, especialmente quando há associação de tabaco e anticoncepcionais, com riscos de embolias de pulmão.

Por fim, os cânceres. Principalmente os de boca, laringe, esôfago, pâncreas e bexiga, além do já citado carcinoma de pulmão. Além dessas doenças graves e crônicas, o fumante está mais vulnerável às infecções das vias respiratórias e dos pulmões. Entre elas, a pneumonia.

Parar de fumar é possível
André Maciel – Psicologo CRP-GO 3209. 

Aurélia Guilherme – Como explicar aquelas pessoas que fumaram muito e a vida inteira; 70, 80 e até 90 anos fumando e que morreram de outras razões, não ligadas ao tabagismo?

José Reinaldo Breseghello – A qualidade da genética é a resposta… assim como o que ocorre com pessoas viciadas em álcool! Encontro fumantes com cinco anos de hábito e os pulmões estão detonados; enquanto há outros, com 50 anos de vício, sem alterações pulmonares. Mas tem o resto, né? Boca, esôfago, estômago, pâncreas, bexiga, sistema cardiovascular…

Aurélia Guilherme – Um número incalculável de pessoas acorda todos os dias com o firme propósito de romper com o cigarro. Só que, aquela disposição, que parecia inabalável, porém, nem tanto, sucumbe ao primeiro café ou à um pequeno estresse. Além das substâncias viciantes, é duro vencer a força da repetição e da associação. Por que é tão difícil disciplinar a mente?

André Maciel – “É fácil parar de fumar, eu já parei centenas de vezes”. Essa frase é do escritor norte-americano Mark Twain (1835 – 1910). Ela é exemplo de como a dificuldade de parar de fumar atravessa o tempo.

E a dificuldade de disciplinar a mente está além da dificuldade em se livrar da droga. Ex-fumantes também têm de se acostumar com o aumento da ansiedade e o pequeno ganho de peso. Ganha-se dois quilos em média com o abandono do tabaco.

Algumas pessoas também passam a sofrer com distúrbios do sono e dores de cabeça nas primeiras semanas sem o cigarro. A falta da nicotina, portanto, traz sim,consequências físicas e psicológicas aos ex-fumantes. Dentre os muitos “mitos” que envolvem o cigarro, há uma verdade absoluta: parar é difícil.

Aurélia Guilherme – Mas, a batalha é árdua mesmo. Temos muitas campanhas informativas, existe a pressão da sociedade, a consciência e o desejo de parar. Porém, o candidato a ex-fumante está cercado de estímulos para se manter no hábito. Café, bebida alcóolica, depois do amor, problemas de toda a ordem são um convite à acender o próximo cigarro. A associação com o cigarro é automática. Porém, o indivíduo se mantém firme nesse propósito. Mas, ele não contava com os sintomas psíquicos e físicos fossem nova prova de fogo. O que acontece nessa fase?

José Reinaldo Breseghello – Um dia, ao invés do cigarro, uma centelha acende na cabeça do indivíduo fumante. “Preciso parar… e preciso de ajuda!”

André Maciel – Nosso aparelho psíquico está estruturado para desejar o prazer. O consumo regular do cigarro provoca uma sensação de bem estar. Ele ampara e também provoca uma sensação boa para a nossa vaidade em algumas situações que consideramos especiais. São várias as boas sensações de prazer imediato que o cigarro traz. As razões para que o indivíduo pare de fumar precisam ser bastante atraentes. Já que são grandes os sentimentos e a sensação de “dor” psicológica e física. A falta de nicotina no corpo causa uma inquietação e depressão para o organismo.

Além disso, nos primeiros tempos de abstinência, os sintomas físicos e psíquicos tendem a ser desencorajadores. Por fim, o desejo de voltar atrás muitas vezes ameaça afogar as mais firmes promessas. Isso ocorre porque o cigarro está associado a situações prazerosas, das quais não há razão para se privar. Assim, não são raros os que acabam voltando.

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Pulmão já afetado pelos danos causados pelo cigarro.

Aurélia Guilherme – Ao parar de fumar, como é o processo de limpeza do corpo?

José Reinaldo Breseghello – Temos um mecanismo “auto-limpante”, anti-oxidante.

Aurélia Guilherme – Em quanto tempo, os danos são reparados?

José Reinaldo Breseghello – (físicos) Sem possibilidades de se aquilatar… cada indivíduo é único.

André Maciel – (psicológicos) Sem a nicotina, o organismo passa por uma readaptação. O monóxido de carbono  combinado com a hemoglobina do sangue limita a oxigenação do organismo. Então, livres desse monóxido, as células tornam a respirar. A irrigação sanguínea se normaliza e a pele recupera o viço. As substâncias tóxicas do fumo lesam as papilas gustativas e o nervo olfativo. Sem essas substâncias, os ex-fumantes redescobrem cheiros e sabores. Com a desintoxicação do cérebro, o sono também melhora. (Revista Superinteressante)

O conhecimento sobre os fatores psicológicos e/ou psiquiátricos que estão associados ao tabagismo é importante para fins práticos. Podem ser incorporado ao tratamento do indivíduo dependente da nicotina. A estreita interconexão entre tabagismo e quadros psicopatológicos remete à importância da atuação interdisciplinar entre os profissionais. Isso é importante para o sucesso dos programas de tratamento da dependência à nicotina. Ressalta-se o papel crucial da avaliação e do acompanhamento psicológico/psiquiátrico do paciente. Isso deve ser feito no decorrer de todo o processo terapêutico. Lembrando que cada caso é um caso.

Assim sendo, o tempo para se reparar danos psicológicos e físicos depende única e exclusivamente da pessoa. E de sua real entrega ao processo.

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Os males das toxinas do cigarro afetam de forma nociva os fumantes passivos.

Aurélia Guilherme – Pessoas que não fumam, mas convivem com fumantes, também estão sujeitas à problemas de saúde?

José Reinaldo Breseghello – Sim, através do tabagismo passivo as pessoas incorrem em maior risco para todas as doenças citadas acima.

As crianças que convivem com fumantes têm maior incidência de asma e de infecções respiratórias. Mesmo no útero materno, a criança será afetada pelo tabagismo. Seja pelo vício da própria mãe ou por ela inalar a fumaça do ambiente. Assim, há maiores riscos de nascimentos prematuros, crianças com baixo peso, e bebes “chiadores”.

Aurélia Guilherme – Há pessoas que trocam o cigarro por doces, chocolates e engordam. Essa necessidade de substituir um vício, que foi abandonado, por outro, mantém a mente presa a condicionamentos? Como a psicologia encara o comportamento da substituição? O que fazer para fortalecer a mente? Qual o caminho para a libertação dos vícios e hábitos de qualquer natureza?

André Maciel – Eu entendo que é preciso ficar atento às armadilhas, que não são poucas. Nos momentos de estresse, manter-se consciente, procurar acalmar a mente e entender que momentos difíceis sempre vão ocorrer; porém, fumar não irá resolver os problemas.

Ao sentir vontade de fumar ou sentir a “fissura”, como é conhecido esse momento, a transferência é até bem-vinda. Pois o ato de passar a comer um pouco mais também está ligado à descoberta de “novos” sabores. Para “fortalecer e mente” força de vontade é condição fundamental para o abandono de qualquer tipo de dependência. Com o acompanhamento psicológico, o fumante analisa as razões pelas quais quer reduzir ou abandonar o tabaco. Essa investigação torna mais clara a motivação. Ajuda no processo de fortalecimento e autoconhecimento para a libertação de seus vícios e hábitos.

Leia também: 9 dicas infalíveis para acabar com o tabagismo

Aurélia Guilherme – Há ainda, aquelas pessoas, que têm o cigarro, até como companhia. É como se tivessem apoio afetivo para que se sentissem menos solitárias. Isso procede? Seria esse, um agravante a mais, na dificuldade de deixar o vício, não?

André Maciel – Com certeza, esse é um agravante. Funciona, na maioria das vezes, como uma “boa” desculpa para o fato de não parar de fumar. Há, também aqueles que estão sempre naquele processo de “para e volta”. Trata-se de um círculo vicioso.

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Uma fotografia dos danos provocados pelo vício de fumar. Que estrago aos pulmões! Boa Vida Online

Aurélia Guilherme – Hoje é o Dia Nacional de Combate ao Fumo. Vamos às considerações finais?

André Maciel – Parar de fumar é uma decisão pessoal. Com ou sem ajuda, quem tem esse desejo tem à sua disposição as mais diversas opções de acompanhamento psicológico. Há também, cada vez mais, opções da medicina e incentivos da sociedade. A força de vontade, a determinação são importantíssimos para evitar recaídas. Como citei acima, Mark Twain, em sua época, não havia alternativas, só a força de vontade para parar de fumar. Hoje temos um imenso leque de opções farmacológicas, tratamento psiquiátrico e, não menos importante, o acompanhamento psicológico. Todos, atuando como aliados para o abandono definitivo do cigarro. Com todo esse aparato naquela época, com certeza Mark Twain não tivesse proferido tão famosa frase.

José Reinaldo Breseghello – Mais uma vez, estamos alertando e conscientizando a população em geral, aos fumantes e a seus familiares. Este é um vício terrível, considerado, por si só, uma doença, pela Organização Mundial de Saúde (CID Z72.0).

Nunca é tarde para parar! Sempre valerá a pena! Peça ajuda ao seu médico. Como disse o André, hoje contamos com um grande arsenal medicamentoso para ajudar o tabagista a se tornar um EX-FUMANTE!

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