Ludmylla Pimentel – A vida e a graça da 1ª advogada trans brasileira reconhecida internacionalmente

Ludmylla Pimentel é o que podemos chamar de “um vulcão” em permanente erupção. Nasceu menino, mas quis ser menina. Seguiu seus instintos provocando admiração, pela coragem e pela personalidade forte e determinada. Lud se mudou há anos para a Europa e escolheu Portugal para morar. Um lugar que ela ama e onde é amada. Mas, sua história não tem fronteiras. Além da carreira jurídica, Lud vive o showbiz e é muito querida entre os amigos do meio artístico. Um pouco da história dessa rainha do palco que se tornou  primeira advogada trans em Portugal e a 1a advogada trans brasileira a ser reconhecida internacionalmente.

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Ludmylla Pimentel – Vida Intensa

Em Portugal, Ludmylla Pimentel vive seu melhor momento. Lud está sempre entre flashes e holofotes, amigos e champagne. Sua vida é uma festa. Quando a vejo pelas redes sociais, fico encantada com sua autenticidade, alegria e forma de encarar a vida. Ludmylla faz o tipo de pessoa que não se preocupa com os que tentam “atravancar o seu caminho. Essas pessoas passarão e ela, passarinho”,  parafraseando Mário Quintana. Mas ela é bem isso! Pude conhecer um pouco mais de Ludmylla Pimentel ou, se preferir, Márcio César Jabur Carneiro, OAB-GO 16467 ou OA-57116P (carteira da Ordem dos Advogados Portugueses):

Ludmylla Pimentel - A vida e a graça da 1a advogada trans brasileira reconhecida internacionalmente

Ela reúne todos os atributos que uma mulher deve ter. Ela é inteligente, bonita, profissional, ousada, forte, amiga, maternal e muito gente boa. Chega mais Lud, as mulheres a acolhem. Você é uma de nós!

Aurélia Guilherme – Você é a primeira advogada trans de Portugal e a primeira trans brasileira a ser reconhecida internacionalmente. Uau, isso é um avanço e tanto! Como você descreve este momento em sua vida?

Ludmylla Pimentel – Sem dúvida, este é o melhor momento da minha vida. Não vivencio e, sequer consigo enxergar, qualquer tipo de preconceito comigo. Sou só admiração por onde passo. Conquistei com maestria o que todo ser humano deve ter: DIGNIDADE EM TODOS OS ASPECTOS!!!

Aurélia Guilherme – Mas a caminhada não deve ter sido fácil, imagino…

Ludmylla Pimentel – A caminhada foi muito engraçada, ri muito e não derramei uma lágrima sequer. Elke Maravilha dizia que se embevecia com a minha força e coragem! Fiz das dificuldades, verdadeiras oportunidades!!!

Aurélia Guilherme – Como você foi parar em Portugal?

Ludmylla Pimentel – Frequento a Europa desde 1986. Porém, você acredita que eu tinha resistência com Portugal? Não gostava nem de Portugal nem dos portugueses. Mas, a língua realmente é o chicote da bunda. Hoje, posso dizer, literalmente, que sou apaixonada por Portugal e pelos portugueses.
Depois de estar por cinco anos no Brasil, algo me atraiu para Portugal. Segundo a doutrina espírita (que sem dúvida é a universidade das religiões), O ACASO NÃO EXISTE! Depois de todo esse tempo no Brasil, voltei para Europa, desta vez para passear. Quis rever vários amigos, badalar, ferver, gastar e fazer muito amor. Enfim, mergulhei  na minha Europa tão querida, excluindo a Espanha, que é o “Ó do Borogodó!”
Em Portugal, fui direto para a casa do Pai de Santo mais famoso do país. Nem sei como isso aconteceu. Mas aconteceu. Foi tudo lindo, ele é ótimo, muito rico e adora ostentar. Mas esta não é minha praia e saí fora. Estou mais para Chico  Xavier do que para a barulheira de atabaques no meu doce ouvido. Meu ouvido foi criado escutando música clássica, tocada por mamãe. Por falar nisso, recentemente comprei um piano maravilhoso. Tenho tocado muito.
Ludmylla Pimentel ainda bebê com sua mãe Jamile Mércia Jabur Bittar Carneiro

Com a mãe, Jamile Mércia Jabur Bittar Carneiro, grande referência e a quem Ludmylla herdou o tutano de mulher guerreira. Nessa época, sua mãe jamais imaginaria que Márcio César se tornaria a glamourosa Ludmylla Pimentel. Ela é a 1a trans advogada em Portugal e a 1a advogada trans brasileira a ser reconhecida internacionalmente por uma Ordem da União Europeia

Porém, no aeroporto…

Havia chegado o dia de voltar para o Brasil e já me encontrava no aeroporto de Lisboa. Eu estava estranha. Sentia um enorme pesar em sair daquele país. Já tinha feito o check in. Dentro da sala de embarque, rasguei meu cartão de embarque. Disse que precisava sair para fumar um cigarro e fui embora, direto para um táxi. Passei três dias feliz da vida, em Portugal. Resolvi viajar pelo país e, veja só, acabei descobrindo tudo sobre mim.
Em Coimbra foi emocionante. Tive a sensação de já ter estudado Direito na Universidade de Coimbra em vidas passadas. Foi ali que tive a certeza de um país para morar. Portugal acabara de ser adotada por mim. Mas onde? Havia visitado mais de 10 cidades. Porém, uma força maior me abriu todas as portas, por excelência, em Porto. Tudo aconteceu de forma espantosamente certa. Me instalei em um apartamento no melhor lugar de Porto. Amigos queridos estavam ao meu lado. Ótimos trabalhos e, finalmente, a legalização da minha carteira da Ordem dos Advogados Portugueses.

 Aurélia Guilherme – Você se divide entre uma carreira jurídica e outra, artística. Como é a sua vida?

 Ludmylla Pimentel – Minha vida aqui é uma loucura! Ser advogada é apenas uma das minhas atividades. Presto serviço jurídico para duas ONGs LGBT. Além disso, trabalho como advogada para imigrantes de todo o mundo. Toco piano um vez por semana em um night club. Canto aos sábados em um restaurante brasileiro.

Aurélia Guilherme – Qual o nome que vem escrito  na sua carteirinha da Ordem – Márcio ou Ludmylla?

Ludmylla Pimentel – Estava justamente falando com Vera Fisher ao telefone sobre o nome dos meus documentos. Vera sempre foi e será o meu grande amor. Ela nunca julga ou opina, apenas me ouve horas a fio. Mas sou da mesma escola da Rogéria. Travesti tem que ter cultura, ser do bem e agradar. Nome é fantasia. Jamais iria trocar meu nome de batismo, que me foi dado com tanto amor pelos meus pais. Para isso existe nome artístico, como Rogéria, Xuxa, Lula, Pelé… Até o último dia de minha existência neste planeta, serei o dr. Márcio César Jabur Carneiro.

Aurélia Guilherme – Você tem muitos amigos que são celebridades. O showbiz é a razão disso?

Ludmylla Pimentel e a grande amiga Vera Fischer

Ludmylla com a amiga de todas as horas, Vera Fisher. Elas passam horas ao telefone. Porém, Lud diz que Vera apenas a ouve e a apoia em todas as necessidades. “Uma amiga que não julga. Vera me dá seu colo sempre que preciso. Ali, eu me entrego e me sinto segura. Uma amiga e tanto”

 Ludmylla Pimentel – Sabe, amiga linda, celebridade para mim é Jesus Cristo Super Star. Os demais são seres humanos em busca da evolução espiritual. Tenho crises de risos com as notícias das celebridades nas revistas e programas de TV. Esta palavra é muito forte e tem hierarquia. Agora, estou mesmo perto de quem está ou já esteve em evidência, isso é verdade. Tenho uma antena parabólica. Acabamos sempre nos encontrando e aprendendo sempre. Atualmente, converso durante horas na madrugada com a minha amiga José Castelo Branco, que mora em New York City e é casada com a Lady Betty Grafstein. Elas são um espetáculo. Adooooro. Faça uma entrevista com o José, ele vai adorar você.

Aurélia Guilherme – Claro, será um prazer conhecê-los. Você é muito segura de si mesma. Você nunca caiu do galho?

Ludmylla Pimentel – Não. Minha fé em Jesus Cristo é full time. Ele está em primeiro lugar em tudo o que eu faço. Depois, vem a influência da minha família, que é a base da minha educação. Destaco o papel fundamental da mãe em minha vida. Vem dela, a dra. Jamile Mércia Jabur Bittar Carneiro, toda essa fortaleza que eu sou. E, é claro, que se soma a isso, o meu lado masculino, que me faz naturalmente forte. Forte o suficiente para ser uma figura feminina de primeira linhagem, sem ter tido, em qualquer momento de minha vida, a pretensão de ser mulher. Sou apenas feminina e adoro as mulheres. Não nasci para dar frutos (filhos). Mas já dei e dou muita sombra (para os filhos do mundo)

Aurélia Guilherme – E quanto aos amores, seu coração tem dono?

Ludmylla Pimentel – Decidi que apenas um amor para mim é pouco. Tenho muito amor para dar. Estou apaixonada pela humanidade. Quero todo mundo. Mas, meu coração é só de Jesus e a minha alegria é a Santa Cruz… Mas, confidencialmente, chegue seu ouvido aqui pertinho… risos

Aurélia Guilherme – Como você se define?

 Ludmylla Pimentel – Sou assim: deliciosamente suficiente naquilo a que me proponho a fazer. Faço tudo com muita “tesão”. E, definitivamente, o ser humano que tem tesão, não provoca confusão.
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