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 junho 17

by Aurelia Guilherme

Fome Oculta 

Fome oculta, apesar do nome sugestivo para muitas pessoas, este é um problema que nada tem haver com o fato do indivíduo nem perceber que está com fome. A Fome Oculta é, na verdade, uma deficiência nutricional que enfraquece o organismo e o deixa mais sensível a uma série de fatores. Para se ter uma ideia real, mesmo estando com sobrepeso, um adulto pode apresentar Fome Oculta. Ou seja, não se trata de quantidade, mas sim da ausência de uma alimentação de qualidade!

fome oculta - carência de vitaminas e minerais - alimentação ruim - boa vida online

Conversamos com a  Nutróloga Paula Abrantes Figueiredo, para entender um pouco mais sobre esse mal altamente prevalente. Estimativas apontam que uma, em cada quatro pessoas no mundo, tem deficiência de vitaminas e minerais. Confira:

fome oculta - Paula Abrantes Figueiredo - Nutróloga - Goiânia - boa vida online
Dra. Paula Abrantes Figueiredo – Nutróloga – CRM – GO 13.123

Aurélia Guilherme – A Fome Oculta é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como a necessidade não explícita de um ou mais, dos 26 micronutrientes essenciais para o bom funcionamento do organismo. Mas, afinal, o que são micronutrientes?

Dra. Paula Abrantes Figueiredo – Micronutrientes são vitaminas e minerais necessários para o pleno funcionamento das funções do organismo. Crescimento, desenvolvimento físico e psíquico, metabolismo e reprodução exigem “combustível”.

A Fome Oculta atinge aproximadamente 25% da população mundial. Esta questão é tão séria, que há diretrizes governamentais para a reposição de vitamina A e ferro. A farinha de trigo é enriquecida com ferro e ácido fólico e o sal, com iodo.

Aurélia Guilherme – Que sinais a Fome Oculta costuma manifestar?

Dra. Paula Abrantes Figueiredo – A Fome Oculta pode se manifestar na forma de cansaço, fadiga, fraqueza, memória ruim, formigamento nas extremidades, depressão, queda de cabelos e icterícia (olhos e pele amarela).

Aurélia Guilherme – Existe um “grupo de risco” mais propenso a desenvolver a Fome Oculta?

Dra. Paula Abrantes Figueiredo – Sim. Crianças e gestantes demandam mais nutrientes e são mais susceptíveis às carências nutricionais. Além disso, pessoas que apresentam uma má absorção de nutrientes têm mais risco. Aquelas que tenham sido submetidas a algum tipo de cirurgia bariátrica e os idosos, também fazem parte dessa lista.

Porém, não é adequado falar apenas em “grupo de risco”, mas sim em “comportamento de risco”. Algumas pessoas não consomem comida, mas produtos alimentícios. Quanto mais produtos alimentícios industrializados consumimos, menor a probabilidade de estarmos nos nutrindo adequadamente.

“A Fome Oculta atinge aproximadamente 25% da população mundial. Esta questão é tão séria, que há diretrizes governamentais para a reposição de vitamina A e ferro”.

Aurélia Guilherme – Que consequência essa carência de micronutrientes pode trazer para o organismo?

Dra. Paula Abrantes Figueiredo – Em alguns casos, queda de cabelos, unhas fracas, quebradiças e com listras. Em outros casos, pode haver grave comprometimento da cognição, nos olhos e no desenvolvimento. Semelhante aos casos de carência de iodo na infância, de vitamina A e de ferro, respectivamente.

No caso de deficiência de zinco, pode haver deficit de crescimento e de problemas de cicatrização.

A deficiência de nutrientes, como ômega 3, pode estar relacionada à depressão, que não responde ao tratamento psiquiátrico.

A deficiência de ácido fólico e de vitaminas do complexo B pode, além de gerar fadiga, aumentar o risco de problemas cardiovasculares. Isso acontece, devido ao acúmulo de produtos tóxicos no sangue, como a homocisteína.

A deficiência de magnésio, pode gerar cãibras, constipação intestinal e alterar o metabolismo da glicose.

A deficiência de vitamina E, pode estar ligada aos casos de trombose e ao aumento da coagulação sanguínea. Porém, esta vitamina não deve ser utilizada sem acompanhamento médico.

“A deficiência de nutrientes como ômega 3, pode estar relacionada à depressão, que não responde ao tratamento psiquiátrico”.

Aurélia Guilherme – Como a Fome Oculta é diagnosticada?

Dra. Paula Abrantes Figueiredo – O diagnóstico é clínico e laboratorial. Os olhos, a língua, a pele, os cabelos e as unhas podem evidenciar a carência de nutrientes. Há de se verificar a carência da vitamina A, do ferro, do zinco e as do complexo B.  O diagnóstico laboratorial permite confirmar estes achados, detalhando e quantificando as deficiências.

Aurélia Guilherme – Como é o tratamento? Há necessidade de suplementação?

Dra. Paula Abrantes Figueiredo – O tratamento depende do tipo de nutriente que está deficiente. Além disso, também envolve uma avaliação completa da história clínica do paciente, dentro de um contexto maior. Seus hábitos de vida e seu quadro clínico são observados. Este tipo de avaliação deve ser feito por um profissional, em uma consulta presencial. Há necessidade de suplementação, na maioria dos casos, seja ela por meio de vitaminas, ou pela própria alimentação.

Aurélia Guilherme – Qual a sua opinião sobre os polivitamínicos vendidos nas farmácias?

Dra. Paula Abrantes Figueiredo – Muitos polivitamínicos vendidos nas farmácias têm doses adequadas de alguns nutrientes e baixas, de outros. No tratamento, neste tipo de deficiência, é comum a prescrição de vitaminas “sob medida”. Sempre de acordo com as necessidade individuais.

Por isso, mesmo com a melhor intenção, não recomendo que as pessoas se automediquem. As vitaminas são substâncias que podem causar efeitos colaterais, quando utilizadas de forma errada. Muitas se acumulam no organismo. Portanto, se faz necessária a visita a um profissional de saúde capaz de investigar este tipo de deficiência. Só depois disso, deve-se utilizar vitaminas isoladamente e polivitamínicos.

“Porém, não é adequado falar apenas em “grupo de risco”, mas sim em “comportamento de risco”. Algumas pessoas não consomem comida, mas produtos alimentícios. Quanto mais produtos alimentícios industrializados consumimos, menor a probabilidade de estarmos nos nutrindo adequadamente”.

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